Por mais que a gente imagine a bipolaridade como dois pólos distintos do humor, na prática, as coisas são mais complicadas. Isso é compreensível, afinal, o próprio nome do transtorno contribui para essa confusão (bi-bolar).
Com base na imagem acima, retirada de Yatham e colaboradores (2021) e adaptada de McElroy & Keck (2017), podemos perceber que existe um espectro em uma espécie de degradê que varia da “ausência” de sintomas (eutimia) até a depressão profunda e a mania aguda.
Porém, nesse degradê, existem momentos em que os sintomas se “misturam” em um estado que chamamos de misto, em que sintomas de depressão são apresentamos na mania, ou sintomas de mania surgem da depressão. A frequência, intensidade e quantidade dos sintomas sobrepostos fazem com que o quadro seja mais ou menos complexo. Além disso, os períodos de sintomas mistos são os que possuem níveis mais altos de sofrimento, devido a angustia envolvida na situação.
Porém, dada a sua complexidade e a baixa informação difundida sobre essas características, muitos pacientes são diagnosticados de diversas formas como depressão+ansiedade, TDAH+ansiedade generalizada, pânico+depressão, entre outros.
Por isso, fiquem atentos, pois as características que definem o transtorno bipolar são diferentes da depressão unipolar e outros transtornos como os da ansiedade e TDAH, apesar de que também existem muitas comorbidades. Mas esses são temas para uma outra publicação.
Até a próxima!
Psicólogo Armando (CRP-12/18558)




