Eu sei que pode se tornar chato e difícil, mas vai por mim, vale a pena.
A medicação desempenha um papel fundamental no tratamento do transtorno bipolar.
Estabilizadores de humor, antipsicóticos, anticonvulsivantes e outras classes medicamentosas são frequentemente utilizadas. O tratamento medicamentoso proporciona a estabilização do humor, mas, também, a prevenção de novos episódios.
Ok, mas o que acontece se eu não tomar?
Dados históricos de indivíduos não tratados e hospitalizados (quando não existiam medicações), além de novas pesquisas, indicam que a neuroprogressão da doença acarreta em envelhecimento cerebral acelerado, com mudanças no volume cerebral, respostas reduzidas à farmacoterapia e psicoterapia, déficits cognitivos e funcionais, além de riscos aumentados de desenvolvimento de demência na velhice.
Esses dados deixam claro o quanto se trata de um transtorno de ordem biológica, silencioso, mas com grande potencial de acarretar em prejuízos irrecuperáveis, caso não haja o tratamento correto. Sempre digo e repito, o transtorno bipolar é um transtorno crônico e muito biológico, por isso a medicação não é uma sugestão de trabalho, mas, sim, uma prioridade.
A terapia importa, claro.
Mas muitas vezes as pessoas confundem causa e consequência, acreditando que a causa do sofrimento esteja em processos como pensamentos ruminativos ou crenças disfuncionais, quando, na verdade, se trata de uma alteração orgânica e que precisa de um novo arranjo medicamentoso e implementação de novos hábitos.
Por exemplo, medicamentos como o Lítio, o mais tradicional estabilizador de humor de primeira linha, apresenta alta eficácia para a estabilização da (hipo)mania e da depressão, com isso, acarreta um efeito neuroprotetor, por ajudar a preservar a plasticidade sináptica e proteger contra a neurodegeneração citada anteriormente.
Em resumo, a medicação é um componente crítico no tratamento, pois influencia diretamente a química do cérebro e ajuda a estabilizar, manter e prevenir alterações do humor. No entanto, uma abordagem integrada que combine farmacoterapia e psicoterapia é essencial para o manejo eficaz e duradouro dessa condição complexa.
Combinados?
Até a próxima
Psicólogo Armando (CRP-12/18558)




